Já teve a sensação de estar enjaulado dentro de si mesmo?
Eu me senti assim, dias atrás. Estava sentada dentro do carro, esperando minha tia voltar e observando um rapaz que estava debruçado sobre o muro da sorveteria. A vista desse muro é linda, dá pra ver metade da cidade dali. Ele parecia inquieto, olhando para aquele horizonte de prédios e casas, ruas e carros. E depois de certo tempo, ficou quieto, com os braços abertos e apoiados na mureta.
Mas eu me senti muito mais conectada com a vista dele do que com ele. Eu me senti na pele dele, olhando para aquele horizonte e tendo a sensação de que eu estou enjaulada dentro de mim mesma. De que existe alguém muito mais visceral, mais impetuosa, mais poderosa - apenas enclausurada dentro de mim pela pessoa externa. Parece que eu vivo muito pelo social, pelas regras, pelo estatuto social declarado através das boas maneiras e não faço aquilo que dentro de mim está pulsando para ser feito.
Não estou dizendo que quero sair por aí cometendo atrocidades ou irresponsabilidades como uma adolescente sem freio. Mas há algo dentro de mim, algo que me impulsiona a lutar, a correr atrás daquilo que precisa ser feito, de quebrar algumas regras - e que as vezes acaba sendo silenciado pelo bom senso, pela sensatez.
Eu não posso garantir que se esse meu "eu" realmente conseguisse florescer seria algo positivo ou construtivo. Talvez revelasse falhas no meu caráter. Talvez libertasse pensamentos cruéis e destrutivos. No fundo, pode ser que haja um ótimo motivo para tal alter ego nunca vir a tona. Quem sabe as coisas que poderiam acontecer. A sensação de estar enjaulada é ruim, mas o que dizer da sensação de estar fora de controle? Quem sabe o que há no mais profundo da alma humana, lá no fundo, abaixo das convenções sociais?
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Hoje eu cheguei a uma conclusão, que sei lá, parece ser triste. Não tenho certeza se ela é triste mesmo, ou se a minha perspectiva acabou revelando buracos e rachaduras que não estavam lá.
Nós não temos ninguém.
Você não pode contar com ninguém, não totalmente. Não incondicionalmente. Nem mesmo se a pessoa for a sua melhor amiga, for sua irmã, até mesmo seus pais. Em algum momento, eles se colocarão em primeiro lugar e você terá que se livrar sozinho.
E isso dói. Porque demoramos tanto a confiar nas pessoas e de repente, estamos recolhendo os cacos. Porque demoramos a confiar e não adianta, por que aquela pessoa em que você confiou, é aquela que vai te derrubar. Por que pensamos nos outros torcendo para que quando eles estiverem na mesma situação eles pensem em nós, mas isso não acontece. O altruísmo acaba se virando contra quem o pratica.
Não que isso vá mudar minha natureza. Ou será que vai? Será que algum dia vou endurecer e parar de confiar, parar de amar genuínamente e me tornar tão egoísta quanto as pessoas com as quais eu convivo?
Mas eu tenho uma dica para vocês. As vezes, a gente passa tempo demais com a visão errada. Dando prioridade a certas pessoas que até gostam da gente, mas ignorando aqueles que merecem a prioridade, aqueles que estão sempre nos dando força e cuidando das nossas asas quebradas. Mude isso. Preste atenção em quem está ao seu lado quando você atinge o fundo do poço. São essas as pessoas que merecem lealdade. Não as que te dão tapinhas na costa e sorrisos calorosos.
Concluindo, ou você é forte ou se dá mal. Porque no final das contas, estamos sozinhos. Não temos ninguém.
domingo, 30 de setembro de 2012
Mãe seriadora.
Não sei se já comentei por aqui, mas vamos entrar no assunto. Eu sou viciada em seriados. Sou uma seriadora, amante dos mais distintos tipos de série. Baixo, acompanho, leio reportagens, busco spoilers, vejo sneek peaks. As vezes, no entanto, um seriador é mal interpretado pela família e amigos. Chamado de viciado, retardado, alienado, etc.
Vocês, seriadores, já imaginaram se sua mãe compartilhasse essa paixão com vocês? Seria bom ou ruim?
Bom, eu estou aqui pra falar sobre isso. Porque eu passo por isso. Minha mãe é uma seriadora nata, e foi dela que eu herdei essa paixão. Dona Luciana (ou Tia Lu, para alguns) que o diga. Alguns dos seriados que ela acompanha:
- Damages
- Criminal Minds
- NCIS
- CSI (todas as franquias)
- Body of Proof
- Missing
- Covert Affairs
- Unforgettable
- Law & Order
- Law & Order SVU
- Law & Order Criminal Intent
- Castle
- Revenge
- Once Upon A Time
- Good Christian Belles
- Ghost Whisperer
- The Good Wife
- Person Of Interest
- The Firm
Segue abaixo a minha última conversa com ela sobre Once Upon A Time:
"mãe, o que aconteceu na season finale de Once Upon A Time?"
"ah, o menino morreu."
"pera, o filho da Regina?"
"é, ele comeu a maçã envenenada"
"mas não era uma torta, mãe?"
"isso, a torta"
"mas é só isso, é assim que acaba?"
"não, aquela loira lá, a mãe biológica dele fica la chorando no leito dele"
"mas e a Regina, mãe?"
"ela fica vendo tudo do vidro"
"mas ela tava chorando?"
"ah tava, tava chorando igual eu to chorando agora" (sinta o sarcasmo)
"nossa, mas que final nada a ver, pensei que tinha umas coisas mais legais"
minha mãe com cara de impaciente: "tbm nao é assim. aquele sr gold trai as duas e vai embora e tal, aí essa loira, como chama essa sua amiguinha de House mesmo?"
"emma, mãe"
"isso, a emma luta com um dragão e tal"
"mas nao acredito que o filho da Regina morre mãe, pelo amor de deus"
"mas presta atenção, a emma tava la chorando porque é a lagrima do amor verdadeiro que vai acordar ele, jéssica, presta atenção"
"ai mae, nao gosto mesmo dessa serie, a Regina faz de tudo pelo moleque e ele só quer saber dessa loira enjoada, aff"
"concordo que a rainha má é muito mais bonita que essa menina do House."
"ai mãe, eu prefiro a Regina."
"ai fia, ultimamente eu tbm to preferindo e até entendendo as atitudes da Regina viu"
AGORA ME DIZ: -comofas- pra superar sua mãe torcendo pela vilã? Orgulho define. Ter mãe seriadora é a melhor coisa do mundo, gente!
Prometo que vou postar mais pérolas dela sobre seriados. No próximo post.
domingo, 1 de julho de 2012
"Preciso de você."
"Preciso de um esmalte novo."
"Preciso de uma bota que combine."
"Preciso sair."
"Preciso de um namorado."
"Preciso de dinheiro."
"Eu preciso disso."
"Eu preciso daquilo."
- Precisa mesmo?
Hoje em dia é fácil perder o foco quando analisamos o que são as nossas necessidades. Confundimos o real significado. Uma coisa que eu aprendi, duramente, é que a melhor maneira de afastar alguém é dizer: "eu preciso de você."
Sério. Vocês deviam testar essa teoria para ver que eu não estou mentindo. É tiro e queda. Precisar de alguém é uma armadilha. Nunca cometa esse erro. Quando passamos a precisar de alguém, o relacionamento está, no mínimo, desgastado. E não vai acabar bem. Porque, pense comigo, pessoas não podem ser necessidades. Você tem que apreciar a companhia e não necessitar fisicamente disso.
O que a gente realmente precisa são aquelas coisas simples e primárias, chamadas de necessidades fisiológicas, sabe? Alimentação, morada, estudo... ou vai dizer que isso é menos importante que um esmalte? Tente viver sem alimento e veremos.
Precisar demais de alguém te torna vulnerável e fraco. Não estou sendo dura demais nem auto-suficiente, só afirmando o que todo mundo sabe. Se você acreditar que só está completo na companhia de outras pessoas, você está dizendo ao mundo que não é capaz de nada sozinho.
Honestamente, não sou nenhuma herege. Gosto da companhia de algumas pessoas, gosto de ter amigos e relacionamentos. Mas sei o meu limite, ou pelo menos, estou aprendendo. Aprendendo a me amar e cuidar de mim acima de tudo, porque se algum dia eu perder tudo e/ou todos, eu precisarei somente de mim.
Isso sim é necessidade.
"Preciso de um esmalte novo."
"Preciso de uma bota que combine."
"Preciso sair."
"Preciso de um namorado."
"Preciso de dinheiro."
"Eu preciso disso."
"Eu preciso daquilo."
- Precisa mesmo?
Hoje em dia é fácil perder o foco quando analisamos o que são as nossas necessidades. Confundimos o real significado. Uma coisa que eu aprendi, duramente, é que a melhor maneira de afastar alguém é dizer: "eu preciso de você."
Sério. Vocês deviam testar essa teoria para ver que eu não estou mentindo. É tiro e queda. Precisar de alguém é uma armadilha. Nunca cometa esse erro. Quando passamos a precisar de alguém, o relacionamento está, no mínimo, desgastado. E não vai acabar bem. Porque, pense comigo, pessoas não podem ser necessidades. Você tem que apreciar a companhia e não necessitar fisicamente disso.
O que a gente realmente precisa são aquelas coisas simples e primárias, chamadas de necessidades fisiológicas, sabe? Alimentação, morada, estudo... ou vai dizer que isso é menos importante que um esmalte? Tente viver sem alimento e veremos.
Precisar demais de alguém te torna vulnerável e fraco. Não estou sendo dura demais nem auto-suficiente, só afirmando o que todo mundo sabe. Se você acreditar que só está completo na companhia de outras pessoas, você está dizendo ao mundo que não é capaz de nada sozinho.
Honestamente, não sou nenhuma herege. Gosto da companhia de algumas pessoas, gosto de ter amigos e relacionamentos. Mas sei o meu limite, ou pelo menos, estou aprendendo. Aprendendo a me amar e cuidar de mim acima de tudo, porque se algum dia eu perder tudo e/ou todos, eu precisarei somente de mim.
Isso sim é necessidade.
sábado, 30 de junho de 2012
Crianças.
Já falei como são lindas?
Me enchem de amor, de alegria, de carinho. Observando as crianças me atenho à cada detalhe da filosofia humana. Crianças pequenas, que ainda não foram corrompidas pela mídia, pelos pais ou pela influência da vida, possuem uma essência tão pura que chegam a ser quase anjos.
Crianças devolvem aquilo que damos à elas. Não menos, não mais. Se você as trata com delicadeza e amor, elas devolvem amor genuíno. Elas devolvem carinho. Se você as trata mal, elas devolvem respostas malcriadas e comportamentos inadequados. Ou seja, é simples. Não é complexo como os relacionamentos adultos, onde você recebe algo bem diferente do que ofereceu.
Crianças tem olhos destreinados. Elas ficam deslumbradas com os detalhes que consideramos insignificantes. Elas sorriem para você através de uma concepção divertida do mundo. Tudo é bonito, tudo é interessante.
Crianças não traem. Elas não tem preconceitos, não tem discriminação, não tem ressentimentos. Uma pequena briga é esquecida em cinco minutos, um mal entendido se resolve com um sorriso.
Sei que tem muitas pessoas que não gostam de crianças, porque são barulhentas, dramáticas, choronas, ou qualquer outro adjetivo ruim. Mas crianças são passíveis de observação, sabe? Tudo que elas fazem, quer seja um comportamento inadequado ou dificuldade de aprendizado, tudo isso é resultado da soma de diversos fatores que influenciam muito a criança, como estrutura familiar, personalidade, traumas, o nível da educação oferecida, facilidade em aprender.
Portanto, se uma criança se comporta mal ou de maneira inconveniente, ela tem um motivo importante para isso.
E mesmo com todas essas influências, as crianças conseguem ser mais verdadeiras e honestas do que os adultos. Essa é a principal razão pela qual eu prefiro ficar com elas.
terça-feira, 26 de junho de 2012
Um dia qualquer.
Dormir. Alarme. Banheiro. Yoga. Jeans. Tênis. Moletom. Rabo de cavalo. Bolsa. Celular. Cozinha. Caneca. Café. Teclado. Cadeira. Porta. Chave. Portão. Rua. Ônibus. Terminal. Trabalho. Colchão. Mais trabalho. Caminhada. Amigos. Bebida. Risada. Loja de sapatos. Praça. Banca de jornal. Ônibus. Terminal. Padaria. Rua. Casa. Celular. Janta. Televisão. Notebook. Internet. Cama. Revista. Celular. Cachorros. Esmalte. Cabelo. Oral-B. Brincar com a gata. Cama. Dormir.
Sabe, Coração, o Cérebro acha que você é burro. Ele não vai muito com a sua cara, já percebi. Ele me disse que você sempre toma as decisões erradas e ele tem que vir atrás, limpando a bagunça. Não sei. Olha... Eu entendo que o cérebro é um pouco bravo. Eu sei, eu sei. Ele é fechado e respondão lidando com tanta responsabilidade que acaba perdendo o bom humor. Não é culpa dele, mas ele me disse, Coração, que você não entende o poder que têm. Você, quando decide tomar caminhos inusitados sem avisar ninguém, coloca todo o corpo em risco. Os sentidos começam a falhar, diversas partes do corpo começam a desobedecer ao Cérebro e ele... Bom, ele faz o que pode. Ele tenta segurar as pontas, mas tem momentos que só pode lamentar as suas ações. Tudo bem, não faz mal.
Conversei com o Coração, Cérebro. Ele não ficou magoado com o que você disse, sabia? Ele é meio flexível. Talvez até demais, mas é delicado. Você podia pegar mais leve com ele, sabe? É um órgão cheio de vitalidade. Por isso que está sempre tomando decisões impulsivas. Não é por rebeldia. É porque ele espera o melhor das pessoas. Ah, claro que não! O Coração não tem a sua agilidade, Cérebro. Ele é ingênuo, imaturo... É como uma criança. E quando ele se parte, não consegue mais lidar com o resto do corpo. Ele perde a autonomia e é por isso que precisa de você. Ele precisa que você tome as rédeas da situação, precisa que você o obrigue a continuar. Ele pode ser pequeno, mas é forte, Cérebro.
E eu percebi que vocês têm muito para aprender um com o outro.
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