quarta-feira, 6 de novembro de 2013


   Não é engraçado quando você passa horas, dias, meses, anos fazendo tudo o que está ao seu alcance por alguém, cuidando das cicatrizes dessa pessoa, colocando-lhe sorrisos no rosto, recolhendo seus cacos, consertando suas rachaduras, ouvindo seus dramas, assistindo suas comédias, apoiando seus sonhos e festejando suas conquistas, sem receber definitivamente nada em troca? E aí, exatamente quando você se cansa, dá meia volta e decide cuidar de si mesma, essa pessoa subitamente resolve dar valor a tudo o que você fez? Não é engraçado o sentimento de "agora é tarde demais"? A sensação de "infelizmente isso acabou pra mim"?

   Não, não é.

   Portanto, tome cuidado para não ser este alguém.

    Um minuto de silêncio ou até talvez mil, por todos aqueles que já choraram no escuro enquanto todo mundo dormia; que já choraram no chuveiro; que já choraram em silêncio enquanto caminhavam sozinhos; que já usaram aquela desculpa esfarrapada do "caiu um cisco no meu olho" e/ou "eu estava descascando cebola".

    Sei o que muitos vão dizer. Chorar não é errado, mesmo que muitos não gostem de fazê-lo na frente dos outros. Dizem que não muda nada, mas eu digo que se não muda, pelo menos alivia. Chorar não é covardia e muito menos fraqueza, é demonstrar humanidade.

    Se você precisar, chore. Se não precisar mas estiver precisando, também. Não lute contra si mesma porque eu  bem posso dizer (baseada em experiência própria) que dói mais. Aqueles que não choram, seja por vontade própria ou porque não conseguem, acumulam a dor. Armazenam montanhas de sentimentos e não há exatamente nada de benéfico nisso.

    Chorar é um exercício para lavar da nossa alma os pedregulhos do sofrimento. Portanto, fique à vontade. Deixe escapar através dos seus olhos tudo aquilo que seus lábios não podem ou não querem dizer.

terça-feira, 5 de novembro de 2013


A Fernanda, minha inspiração de ser, me presenteou com uma verdade incontestável esses dias:

"A pessoa tem aquilo que ela tira de nós. É por isso que temos opiniões tão diferentes da mesma pessoa. Uma pessoa pode tirar de mim apenas coisas boas e por isso eu gosto dela, e pode ser que ela tire apenas coisas ruins de outra, que consequentemente não a aprecia."

Como eu digo, Fernanda é de uma sabedoria incrível. Realmente, as pessoas conseguem aquilo que despertam em nós. E como controlar isso? Como temperar o nosso comportamento de modo que a gente não despeje toda a nossa raiva, frustração, ódio e por aí vai naquela pessoa que insiste em ser o carma da nossa vida?

Penso comigo que sei lá, requer um autocontrole fora do normal. Eu, por exemplo, (e não me gabando) tenho uma paciência muito poderosa, quase ilimitada mas certas pessoas conseguem, de alguma maneira incrível mina-la. Não sei como. Tento me manter calma, tento abstrair mas juro, que no fundo, a minha vontade é dizer todo tipo de ofensa que eu guardo para mim e então atirar um tijolo bem no meio da cara da fulana. Não é o mais educado, eu sei. Como Fernanda também diz, " é da essência do ser humano ser mau."

E algumas pessoas despertam em mim um lado quase adormecido, um lado mau, um lado vingativo, um lado que quer fazer mal, destruir, magoar, ofender... Um lado que eu passei a vida toda tentando calar e trancar, e aí a pessoa o acende como um fósforo novo.

Se eu luto contra mim mesma? Não. Eu bloqueio o que posso, apesar de algumas coisas escapulirem por entre meus dedos. Eu mantenho distância (uma distância gélida onde nem bom dia é aceitável, porque infelizmente eu sou assim 'pão pão, queijo queijo') e me concentro nas pessoas que merecem.

Nem sempre dá certo, mas explodir com certeza causaria danos muito, muito maiores.