Keyla Rocha.
Hoje, dia 12 de Dezembro de 2012, ela faz 18 anos.
E é claro que eu vou escrever isso e talvez eu mande o link, talvez amanhã, pra sacanear ela hoje e fingir que sou indiferente. O que obviamente eu não sou.
Sabe aqueles amigos a quem você ama muito e sente uma necessidade estranha de honrar o compromisso? Pois é. Ela nunca exigiu nada de mim. I mean, quase nada. Tudo - a lealdade, a simpatia, o cuidado - veio espontaneamente. Acho mesmo que tudo começou quando ela me aceitou na casa dela pela primeira vez, e entrar naquele universo, que agora é tão acolhedor, foi como uma nova realidade se abrindo.
Se ela é facil? Não. Não mesmo. Mas com o tempo, aprendi sobre entender ela, entender suas atitudes, entender que ela vai acabar agindo de algumas maneiras que vão me enlouquecer e irritar, mas é o jeito dela. Não exigi antes e nem nunca vou exigir que ela seja diferente do que é para que eu me sinta melhor.
Ela carrega sonhos e ao mesmo tempo, não sabe abrir mão do passado. Constantemente, vejo ela retornando ao que foi, ao que era, ao que existia, talvez em busca de razões, de sensibilidade ou por medo de que isso também se perca. Acho engraçado que ela parece ser tão "desapegada", tão "descontraída" só que ao mesmo tempo, existe um lado dela, um lado bem mais escondido, onde ela é sensível e vulnerável, onde as lembranças a atingem de uma maneira frágil. Só que também percebi que ela não gosta que as pessoas vejam esse lado dela.
Eu acredito, que as vezes, ela use o bom humor pra mascarar os próprios sentimentos.
Essa maldita da Keyla é tão distante que as vezes parece que ela simplesmente não se importa se você fala com ela ou não. Mas esses dias eu percebi que ela se importa sim, mas aquele orgulhinho desgraçado dela atrapalha que ela assuma o que está sentindo. O que é uma pena.
Fisicamente, eu acho ela linda, mas ela simplesmente ignora meus elogios com uma pitada de ironia. Falo que é gata, que merece um cara lindo e gostoso que a faça feliz, mas o que ela acha? Que falo um monte de bobagens. Acho que 89% das coisas que falo pra ela são descartadas como bobagens, e ela talvez, enfâse em talvez, ela escute os 11%, mas também não é nenhuma garantia.
Não entendo ela quando se trata dos amigos, mas também nem tento entender. Ela é leal, embora seja dificil pra ela verbalizar isso. É dificil pra ela verbalizar qualquer coisa, e se você é do tipo que precisa de excessivas declarações e demonstrações de amor, bom, ela não é pra você. Pra se manter do lado dela, você tem que ser confiante, tem que entender que ela pode te amar sem ter a necessidade de falar disso, porque ela prefere demonstrar em atitudes, porque em gestos também é dificil. Ela só verbaliza a raiva. Ah é, nisso ela é craque. Pode te derrubar com meia duzia de palavras.
Mas sabe que, com todos os defeitos, com todas as imperfeições, com todas as crises, eu a amo? Porque essa menina, gente, me faz sentir feliz. Me faz bem. Faz com que eu me sinta uma boa amiga, uma boa pessoa. Ela tem uma presença encantadora e sabe quando cuidar de quem precisa. Ela tem todo um instinto de família, e eu sempre a admiro quando vejo tomando a iniciativa dentro da casa dela. Acho que se eu pudesse ser um pouco mais como ela, eu ficaria feliz. A amizade dela é mais do que importante pra mim, é essencial. Talvez não exista palavras para quantificar o quanto eu quero vê-la feliz, o quanto quero que ela seja bem sucedida em todos os seus caminhos, o quanto eu amo ela.
Que ela tenha um feliz aniversário hoje. Que esteja rodeada de amigas, de família e saiba, novamente, que é uma pessoa especial e que merece tudo de melhor que há neste mundo. Que os olhos dela ainda tenham esse mesmo brilho e esse mesmo lampejo de carinho daqui a 50 anos. Que os cabelos dela ainda sejam tão lindos, e que o sorriso dela ainda seja tão doce. Que ela encontre um homem, "homem", que a faça sorrir e entenda a sua tpm, e diga que ela está linda até naqueles dias em que você sabe que não está. Que esse mesmo homem diga à ela todos os dias o quanto é sortudo por tê-la. Que ela ainda seja a minha amiga, que ela ainda me ame da maneira que eu sinto que ela me ama, porque é claro que daqui a 10, 50, 100 anos, eu ainda a amarei.
Porque o que é verdadeiro, a gente sabe. O que é de verdade, o tempo não mata, fortalece.
(A verdade é que hoje ela faz 19. Sim, sou péssima com datas e ainda mais pra guardar idade dos outros. Mas a minha amnésia parcial não me faz menos amiga, né? Nem vou mudar isso lá em cima, porque acho que o erro rendeu uma boa piada.)
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Guardar mágoa é uma merda, e é uma merda tão grande que nunca para de feder. Você vê a pessoa e logo milhões de xingamentos, sentimentos ruins, assassinatos imaginários aparecem e preenchem seus olhos, seus fígados, seus pulmões, sua mente. Sabe a sensação de respirar ódio? Eu já vivi.
Diz um certo ditado popular que "Odiar alguém é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra." Não discordo. É claro que guardar o ódio é prejudicial e definha a sua alma, mas existem pessoas que simplesmente ativam isso dentro de nós, como pequenos interruptores. E eu pergunto para vocês, como que o ódio pode ser disseminado ou silenciado? Existe essa opção?
Eu sou uma pessoa dificil, e confesso que guardo os sentimentos ruins, deixo eles se acumularem junto com um planejamento vil de como retribuir tudo na mesma medida ou de maneira pior. Não me orgulho de ser assim e não recomendo este tipo de comportamento para ninguém. Seja melhor do que eu. Seja superior. Retribua o mal com o bem. Deus não quer que sejamos um bando de rancorosos vingativos, ele quer que partilhemos o amor um pelo outro.
Não diga: "Jéssica, você quer que os outros façam mas você não faz" porque eu já disse várias vezes que não sirvo de exemplo. Não me acho digna de ser considerada exemplar porque deixo muito a desejar. Ao mesmo tempo que possuo um grande coração, eu possuo uma grande raiva dentro de mim, instalada onde eu não posso alcança-la. Eu assumo os meus limites na esperança de que vocês vençam os seus e superem aquilo que eu não pude superar.
Se eu quero gritar e chorar nesse momento?
Claro que quero.
Vai adiantar alguma coisa?
Claro que não.
Honestamente, lágrimas são libertadoras porém inúteis. Nada se conquista chorando, nem berrando nos ouvidos alheios. Só que as vezes, me pego pensando na seguinte equação: "chorar não adianta" versus "a única coisa possível é chorar". O que se faz quando a solução para determinada situação não está ao nosso alcance?
Eu sei que deveria me desligar. Eu simplesmente não sei como fazer isso.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Já teve a sensação de estar enjaulado dentro de si mesmo?
Eu me senti assim, dias atrás. Estava sentada dentro do carro, esperando minha tia voltar e observando um rapaz que estava debruçado sobre o muro da sorveteria. A vista desse muro é linda, dá pra ver metade da cidade dali. Ele parecia inquieto, olhando para aquele horizonte de prédios e casas, ruas e carros. E depois de certo tempo, ficou quieto, com os braços abertos e apoiados na mureta.
Mas eu me senti muito mais conectada com a vista dele do que com ele. Eu me senti na pele dele, olhando para aquele horizonte e tendo a sensação de que eu estou enjaulada dentro de mim mesma. De que existe alguém muito mais visceral, mais impetuosa, mais poderosa - apenas enclausurada dentro de mim pela pessoa externa. Parece que eu vivo muito pelo social, pelas regras, pelo estatuto social declarado através das boas maneiras e não faço aquilo que dentro de mim está pulsando para ser feito.
Não estou dizendo que quero sair por aí cometendo atrocidades ou irresponsabilidades como uma adolescente sem freio. Mas há algo dentro de mim, algo que me impulsiona a lutar, a correr atrás daquilo que precisa ser feito, de quebrar algumas regras - e que as vezes acaba sendo silenciado pelo bom senso, pela sensatez.
Eu não posso garantir que se esse meu "eu" realmente conseguisse florescer seria algo positivo ou construtivo. Talvez revelasse falhas no meu caráter. Talvez libertasse pensamentos cruéis e destrutivos. No fundo, pode ser que haja um ótimo motivo para tal alter ego nunca vir a tona. Quem sabe as coisas que poderiam acontecer. A sensação de estar enjaulada é ruim, mas o que dizer da sensação de estar fora de controle? Quem sabe o que há no mais profundo da alma humana, lá no fundo, abaixo das convenções sociais?
Eu me senti assim, dias atrás. Estava sentada dentro do carro, esperando minha tia voltar e observando um rapaz que estava debruçado sobre o muro da sorveteria. A vista desse muro é linda, dá pra ver metade da cidade dali. Ele parecia inquieto, olhando para aquele horizonte de prédios e casas, ruas e carros. E depois de certo tempo, ficou quieto, com os braços abertos e apoiados na mureta.
Mas eu me senti muito mais conectada com a vista dele do que com ele. Eu me senti na pele dele, olhando para aquele horizonte e tendo a sensação de que eu estou enjaulada dentro de mim mesma. De que existe alguém muito mais visceral, mais impetuosa, mais poderosa - apenas enclausurada dentro de mim pela pessoa externa. Parece que eu vivo muito pelo social, pelas regras, pelo estatuto social declarado através das boas maneiras e não faço aquilo que dentro de mim está pulsando para ser feito.
Não estou dizendo que quero sair por aí cometendo atrocidades ou irresponsabilidades como uma adolescente sem freio. Mas há algo dentro de mim, algo que me impulsiona a lutar, a correr atrás daquilo que precisa ser feito, de quebrar algumas regras - e que as vezes acaba sendo silenciado pelo bom senso, pela sensatez.
Eu não posso garantir que se esse meu "eu" realmente conseguisse florescer seria algo positivo ou construtivo. Talvez revelasse falhas no meu caráter. Talvez libertasse pensamentos cruéis e destrutivos. No fundo, pode ser que haja um ótimo motivo para tal alter ego nunca vir a tona. Quem sabe as coisas que poderiam acontecer. A sensação de estar enjaulada é ruim, mas o que dizer da sensação de estar fora de controle? Quem sabe o que há no mais profundo da alma humana, lá no fundo, abaixo das convenções sociais?
Hoje eu cheguei a uma conclusão, que sei lá, parece ser triste. Não tenho certeza se ela é triste mesmo, ou se a minha perspectiva acabou revelando buracos e rachaduras que não estavam lá.
Nós não temos ninguém.
Você não pode contar com ninguém, não totalmente. Não incondicionalmente. Nem mesmo se a pessoa for a sua melhor amiga, for sua irmã, até mesmo seus pais. Em algum momento, eles se colocarão em primeiro lugar e você terá que se livrar sozinho.
E isso dói. Porque demoramos tanto a confiar nas pessoas e de repente, estamos recolhendo os cacos. Porque demoramos a confiar e não adianta, por que aquela pessoa em que você confiou, é aquela que vai te derrubar. Por que pensamos nos outros torcendo para que quando eles estiverem na mesma situação eles pensem em nós, mas isso não acontece. O altruísmo acaba se virando contra quem o pratica.
Não que isso vá mudar minha natureza. Ou será que vai? Será que algum dia vou endurecer e parar de confiar, parar de amar genuínamente e me tornar tão egoísta quanto as pessoas com as quais eu convivo?
Mas eu tenho uma dica para vocês. As vezes, a gente passa tempo demais com a visão errada. Dando prioridade a certas pessoas que até gostam da gente, mas ignorando aqueles que merecem a prioridade, aqueles que estão sempre nos dando força e cuidando das nossas asas quebradas. Mude isso. Preste atenção em quem está ao seu lado quando você atinge o fundo do poço. São essas as pessoas que merecem lealdade. Não as que te dão tapinhas na costa e sorrisos calorosos.
Concluindo, ou você é forte ou se dá mal. Porque no final das contas, estamos sozinhos. Não temos ninguém.
domingo, 30 de setembro de 2012
Mãe seriadora.
Não sei se já comentei por aqui, mas vamos entrar no assunto. Eu sou viciada em seriados. Sou uma seriadora, amante dos mais distintos tipos de série. Baixo, acompanho, leio reportagens, busco spoilers, vejo sneek peaks. As vezes, no entanto, um seriador é mal interpretado pela família e amigos. Chamado de viciado, retardado, alienado, etc.
Vocês, seriadores, já imaginaram se sua mãe compartilhasse essa paixão com vocês? Seria bom ou ruim?
Bom, eu estou aqui pra falar sobre isso. Porque eu passo por isso. Minha mãe é uma seriadora nata, e foi dela que eu herdei essa paixão. Dona Luciana (ou Tia Lu, para alguns) que o diga. Alguns dos seriados que ela acompanha:
- Damages
- Criminal Minds
- NCIS
- CSI (todas as franquias)
- Body of Proof
- Missing
- Covert Affairs
- Unforgettable
- Law & Order
- Law & Order SVU
- Law & Order Criminal Intent
- Castle
- Revenge
- Once Upon A Time
- Good Christian Belles
- Ghost Whisperer
- The Good Wife
- Person Of Interest
- The Firm
Segue abaixo a minha última conversa com ela sobre Once Upon A Time:
"mãe, o que aconteceu na season finale de Once Upon A Time?"
"ah, o menino morreu."
"pera, o filho da Regina?"
"é, ele comeu a maçã envenenada"
"mas não era uma torta, mãe?"
"isso, a torta"
"mas é só isso, é assim que acaba?"
"não, aquela loira lá, a mãe biológica dele fica la chorando no leito dele"
"mas e a Regina, mãe?"
"ela fica vendo tudo do vidro"
"mas ela tava chorando?"
"ah tava, tava chorando igual eu to chorando agora" (sinta o sarcasmo)
"nossa, mas que final nada a ver, pensei que tinha umas coisas mais legais"
minha mãe com cara de impaciente: "tbm nao é assim. aquele sr gold trai as duas e vai embora e tal, aí essa loira, como chama essa sua amiguinha de House mesmo?"
"emma, mãe"
"isso, a emma luta com um dragão e tal"
"mas nao acredito que o filho da Regina morre mãe, pelo amor de deus"
"mas presta atenção, a emma tava la chorando porque é a lagrima do amor verdadeiro que vai acordar ele, jéssica, presta atenção"
"ai mae, nao gosto mesmo dessa serie, a Regina faz de tudo pelo moleque e ele só quer saber dessa loira enjoada, aff"
"concordo que a rainha má é muito mais bonita que essa menina do House."
"ai mãe, eu prefiro a Regina."
"ai fia, ultimamente eu tbm to preferindo e até entendendo as atitudes da Regina viu"
AGORA ME DIZ: -comofas- pra superar sua mãe torcendo pela vilã? Orgulho define. Ter mãe seriadora é a melhor coisa do mundo, gente!
Prometo que vou postar mais pérolas dela sobre seriados. No próximo post.
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