quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Guardar mágoa é uma merda, e é uma merda tão grande que nunca para de feder. Você vê a pessoa e logo milhões de xingamentos, sentimentos ruins, assassinatos imaginários aparecem e preenchem seus olhos, seus fígados, seus pulmões, sua mente. Sabe a sensação de respirar ódio? Eu já vivi.
Diz um certo ditado popular que "Odiar alguém é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra." Não discordo. É claro que guardar o ódio é prejudicial e definha a sua alma, mas existem pessoas que simplesmente ativam isso dentro de nós, como pequenos interruptores. E eu pergunto para vocês, como que o ódio pode ser disseminado ou silenciado? Existe essa opção?
Eu sou uma pessoa dificil, e confesso que guardo os sentimentos ruins, deixo eles se acumularem junto com um planejamento vil de como retribuir tudo na mesma medida ou de maneira pior. Não me orgulho de ser assim e não recomendo este tipo de comportamento para ninguém. Seja melhor do que eu. Seja superior. Retribua o mal com o bem. Deus não quer que sejamos um bando de rancorosos vingativos, ele quer que partilhemos o amor um pelo outro.
Não diga: "Jéssica, você quer que os outros façam mas você não faz" porque eu já disse várias vezes que não sirvo de exemplo. Não me acho digna de ser considerada exemplar porque deixo muito a desejar. Ao mesmo tempo que possuo um grande coração, eu possuo uma grande raiva dentro de mim, instalada onde eu não posso alcança-la. Eu assumo os meus limites na esperança de que vocês vençam os seus e superem aquilo que eu não pude superar.
Se eu quero gritar e chorar nesse momento?
Claro que quero.
Vai adiantar alguma coisa?
Claro que não.
Honestamente, lágrimas são libertadoras porém inúteis. Nada se conquista chorando, nem berrando nos ouvidos alheios. Só que as vezes, me pego pensando na seguinte equação: "chorar não adianta" versus "a única coisa possível é chorar". O que se faz quando a solução para determinada situação não está ao nosso alcance?
Eu sei que deveria me desligar. Eu simplesmente não sei como fazer isso.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Já teve a sensação de estar enjaulado dentro de si mesmo?
Eu me senti assim, dias atrás. Estava sentada dentro do carro, esperando minha tia voltar e observando um rapaz que estava debruçado sobre o muro da sorveteria. A vista desse muro é linda, dá pra ver metade da cidade dali. Ele parecia inquieto, olhando para aquele horizonte de prédios e casas, ruas e carros. E depois de certo tempo, ficou quieto, com os braços abertos e apoiados na mureta.
Mas eu me senti muito mais conectada com a vista dele do que com ele. Eu me senti na pele dele, olhando para aquele horizonte e tendo a sensação de que eu estou enjaulada dentro de mim mesma. De que existe alguém muito mais visceral, mais impetuosa, mais poderosa - apenas enclausurada dentro de mim pela pessoa externa. Parece que eu vivo muito pelo social, pelas regras, pelo estatuto social declarado através das boas maneiras e não faço aquilo que dentro de mim está pulsando para ser feito.
Não estou dizendo que quero sair por aí cometendo atrocidades ou irresponsabilidades como uma adolescente sem freio. Mas há algo dentro de mim, algo que me impulsiona a lutar, a correr atrás daquilo que precisa ser feito, de quebrar algumas regras - e que as vezes acaba sendo silenciado pelo bom senso, pela sensatez.
Eu não posso garantir que se esse meu "eu" realmente conseguisse florescer seria algo positivo ou construtivo. Talvez revelasse falhas no meu caráter. Talvez libertasse pensamentos cruéis e destrutivos. No fundo, pode ser que haja um ótimo motivo para tal alter ego nunca vir a tona. Quem sabe as coisas que poderiam acontecer. A sensação de estar enjaulada é ruim, mas o que dizer da sensação de estar fora de controle? Quem sabe o que há no mais profundo da alma humana, lá no fundo, abaixo das convenções sociais?
Eu me senti assim, dias atrás. Estava sentada dentro do carro, esperando minha tia voltar e observando um rapaz que estava debruçado sobre o muro da sorveteria. A vista desse muro é linda, dá pra ver metade da cidade dali. Ele parecia inquieto, olhando para aquele horizonte de prédios e casas, ruas e carros. E depois de certo tempo, ficou quieto, com os braços abertos e apoiados na mureta.
Mas eu me senti muito mais conectada com a vista dele do que com ele. Eu me senti na pele dele, olhando para aquele horizonte e tendo a sensação de que eu estou enjaulada dentro de mim mesma. De que existe alguém muito mais visceral, mais impetuosa, mais poderosa - apenas enclausurada dentro de mim pela pessoa externa. Parece que eu vivo muito pelo social, pelas regras, pelo estatuto social declarado através das boas maneiras e não faço aquilo que dentro de mim está pulsando para ser feito.
Não estou dizendo que quero sair por aí cometendo atrocidades ou irresponsabilidades como uma adolescente sem freio. Mas há algo dentro de mim, algo que me impulsiona a lutar, a correr atrás daquilo que precisa ser feito, de quebrar algumas regras - e que as vezes acaba sendo silenciado pelo bom senso, pela sensatez.
Eu não posso garantir que se esse meu "eu" realmente conseguisse florescer seria algo positivo ou construtivo. Talvez revelasse falhas no meu caráter. Talvez libertasse pensamentos cruéis e destrutivos. No fundo, pode ser que haja um ótimo motivo para tal alter ego nunca vir a tona. Quem sabe as coisas que poderiam acontecer. A sensação de estar enjaulada é ruim, mas o que dizer da sensação de estar fora de controle? Quem sabe o que há no mais profundo da alma humana, lá no fundo, abaixo das convenções sociais?
Hoje eu cheguei a uma conclusão, que sei lá, parece ser triste. Não tenho certeza se ela é triste mesmo, ou se a minha perspectiva acabou revelando buracos e rachaduras que não estavam lá.
Nós não temos ninguém.
Você não pode contar com ninguém, não totalmente. Não incondicionalmente. Nem mesmo se a pessoa for a sua melhor amiga, for sua irmã, até mesmo seus pais. Em algum momento, eles se colocarão em primeiro lugar e você terá que se livrar sozinho.
E isso dói. Porque demoramos tanto a confiar nas pessoas e de repente, estamos recolhendo os cacos. Porque demoramos a confiar e não adianta, por que aquela pessoa em que você confiou, é aquela que vai te derrubar. Por que pensamos nos outros torcendo para que quando eles estiverem na mesma situação eles pensem em nós, mas isso não acontece. O altruísmo acaba se virando contra quem o pratica.
Não que isso vá mudar minha natureza. Ou será que vai? Será que algum dia vou endurecer e parar de confiar, parar de amar genuínamente e me tornar tão egoísta quanto as pessoas com as quais eu convivo?
Mas eu tenho uma dica para vocês. As vezes, a gente passa tempo demais com a visão errada. Dando prioridade a certas pessoas que até gostam da gente, mas ignorando aqueles que merecem a prioridade, aqueles que estão sempre nos dando força e cuidando das nossas asas quebradas. Mude isso. Preste atenção em quem está ao seu lado quando você atinge o fundo do poço. São essas as pessoas que merecem lealdade. Não as que te dão tapinhas na costa e sorrisos calorosos.
Concluindo, ou você é forte ou se dá mal. Porque no final das contas, estamos sozinhos. Não temos ninguém.
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