sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Misture pessoas de todos os estados brasileiros vestidas da mesma maneira. Em questão de meio  minuto, você consegue identificar o paulista. Ele estará caminhando apressado ou correndo, olhando no relógio de instante em instante.

Pressa.

Ta aí uma palavra que define o paulista. Somos escravos do tempo, somos escravos do relógio. Temos tempo para tudo e ao mesmo tempo, não temos tempo para nada. Perdemos a hora, nos atrasamos, corremos, criamos atalhos, remarcamos e mesmo assim estamos sempre correndo.

É o literal "tempo é dinheiro".

O que ganhamos com isso? Nada. Vivemos em correria e cuidamos de tudo e de todos, menos de nós mesmos. Vivemos doentes, seja pelo ritmo acelerado, seja pela poluição da cidade, pelo estresse do trabalho, pelo estresse do trânsito.

Engraçado que somos a metrópole que "move" tudo, mas não movemos um músculo na direção certa. Não sabemos aproveitar a vida. Somos um dos estados mais desanimados, mais estressados, mais nojentinhos. Todos os outros sabem festejar como ninguém, nós não. Todos os outros sabem que dá tempo de cumprir as obrigações e ainda tirar um tempinho para relaxar, nós desconhecemos esse fato.


Quer dizer, é tão ridículo.

Do que adianta dinheiro, carros, casarões, jóias, eventos, festas, restaurantes e o diabo á torto se você não tem saúde, não tem família, nao tem amigos para sequer dividir isso com você? Do que adianta status social se você passa mais tempo sentado em um escritório do que vivendo?

Não almejo grandes fortunas nem uma grande fama internacional para mim. Acho, pessoalmente, que a vida vai além do seu emprego e do que você conseguiu comprar com ele. Acho também que é importante valorizar as pessoas, porque elas sim são imprevisíveis e você nunca sabe quando as verá pela última vez.

E aí está uma coisa boa entre todas as coisas maléficas que eu aprendi crescendo em São Paulo: o tempo acaba.

Aproveite as oportunidades que têm enquanto você pode.